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eBus movido a energia solar transporta alunos e professores da UFSC

UFSC tem eBus movido a energia solar

eBus movido a energia solar transporta alunos e professores da UFSC

O eBus movido a energia solar está completando o equivalente a duas voltas e meia ao redor do mundo. Já são 100 mil quilômetros rodados em três anos em Florianópolis, capital catarinense, com fonte de energia limpa. O ônibus elétrico atende a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC). O veículo leva professores e alunos do Campus Trindade, no centro da ilha, para o Laboratório Fotovoltaica da UFSC no Sapiens Park e vice-versa. Uma distência de 26 km entre um ponto e outro.

Toda a energia elétrica utilizada para recarregar o veículo é gerada pelo sol, em placas fotovoltaicas instaladas nos telhados do laboratório. A energia é tanta, que supre a demanda de 60 kW/h do ônibus, de 40 kW/h do edifício e ainda sobram 10 kW/h que são enviados para a rede para serem utilizados no campus central. O eBus movido a energia solar faz cinco viagens por dia durante a semana, totalizando cerca de cinco mil quilômetros por mês.

O eBus movido a energia solar também promove um “deslocamento produtivo”, termo inventado pela equipe. Ele possui internet sem fio, monitores e duas ilhas com mesas de reunião. Tudo para que os passageiros trabalhem durante os trinta minutos de trajeto. Cada um dos 38 assentos possui uma entrada USB para carregar celulares. Diferentemente do transporte coletivo municipal, todos os passageiros devem viajar sentados e o acesso é facilitado devido ao piso baixo. Por ser elétrico, o veículo é silencioso e não emite gases de efeito estufa. Ah, e tem ar-condicionado, claro.

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Um projeto que se mostrou viável

Mesmo vazio, o eBus movido a energia solar rodava, pois continuava gerando dados para análise. Em agosto será entregue um relatório final. No documento estarão todas as informações adquiridas no período de março de 2017 a junho deste ano. O eBus recebeu verba de R$ 1 milhão do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O recurso foi destinado a sua construção e avaliação durante esse período. Além de analisar a viabilidade de veículos elétricos na mobilidade urbana, o projeto estudou a produção de energia solar para este fim.

“Provamos que o veículo elétrico funciona. O espaço que ele ocupa parado, se estacionado sob uma área coberta com placas solares, é o suficiente para gerar a energia para se locomover”, afirma Ricardo Rüther, professor titular da UFSC e coordenador do Laboratório Fotovoltaica e do eBus. Outra vantagem do veículo é a frenagem regenerativa. Ao contrário do ônibus a diesel, que consome mais combustível durante o processo de tração, o eBus recupera 30% de sua força nas paradas. Assim, em um engarrafamento, o veículo elétrico é mais eficiente.

A ideia do ônibus surgiu depois que o novo laboratório Fotovoltaica foi construído em Sapiens Park. O objetivo era ser um projeto de pesquisa e também uma ponte entre as duas unidades da universidade. Os projetos do eBus e do Barco Amazônia, também movido a energia solar, foram criados para atender comunidades carentes e a população em geral. A comunidade acadêmica e os parceiros do Sapiens Park atendidos pelo eBus totalizam 50 mil pessoas, o que representa cerca de 10% da população de Florianópolis.

Para usar o serviço, basta se cadastrar pelo site ou e-mail. A partir de agora, porém, será preciso um pouco mais. A continuidade do projeto depende da contribuição das pessoas com uma campanha de financiamento coletivo, na plataforma Catarse. Com a campanha o eBus pode circular por mais um ano, inicialmente. Os custos cobrem a manutenção e os salários dos motoristas. “Estamos confiantes em atingir a meta. Temos um feedback bastante positivo da comunidade, de quem usa o eBus e de quem conhece o projeto. Com o financiamento coletivo, vamos divulgar o eBus e esperamos que mais pessoas acreditem nessa ideia”, afirma Aline Kirsten Vidal de Oliveira, pesquisadora e doutoranda do Fotovoltaica UFSC e uma das coordenadoras da campanha.

Quem também precisa voltar a contribuir é o governo, mas não com dinheiro dessa vez. “São necessárias políticas públicas que estabeleçam que uma fração do transporte público seja elétrica, para gerar escala e reduzir custos. As próximas licitações precisam prever essa demanda”, afirma Ricardo. Investir em escala é a única forma de baratear o valor de produção do ônibus elétrico. Apesar do custo de operação ser 75% mais econômico do que o de um ônibus a diesel, a fabricação do ônibus elétrico é três vezes mais cara, conta o coordenador.

Incentivos para o eBus sustentável

No caso do eBus, o tempo de retorno do investimento é maior do que a vida útil dele. “Ele é experimental, feito sob medida. É caro porque só fizemos um e só fizemos um porque é caro. É um problema de escala, esse é o grande dilema. O incentivo do governo leva a iniciativa privada a apostar no negócio e na fabricação. Se a produção é de milhares, o preço cai e o veículo elétrico se torna competitivo”, explica. Foi o que aconteceu na Alemanha, com a própria produção de energia solar. Em 1999, o professor diz que o governo alemão começou a investir em escala para incentivar as pessoas a instalarem sistemas fotovoltaicos em casa. Hoje, a energia elétrica lá é mais barata do que a brasileira. Em relação a carros elétricos, o Estado alemão também ajuda, cobrindo a diferença de valor em relação a um carro a combustão.

Mesmo com a fabricação custosa, o uso do ônibus elétrico é melhor em qualquer situação, afirma Ricardo. “O eBus presta um serviço à sociedade. Ele contribui para a formação de pesquisadores por meio de treinamento e capacitação e gera benefícios ambientais. O projeto funciona e resolvemos todas as questões técnicas. Também vimos que a energia solar pode dar autonomia para a mobilidade elétrica. Agora, o governo precisa utilizar essas informações da melhor forma. Se os resultados não forem revertidos para o bem comum, os recursos do Ministério terão tido alcance limitado”, conclui.

Com o passar do tempo, a equipe espera conseguir outras parcerias para sustentar o projeto, conta Aline. “O ônibus não pode parar”, diz. Independente do resultado, o eBus já engatilhou mais dois projetos. Um é a recuperação de baterias de carros elétricos em outros sistemas. Outro é a disponibilização do ônibus para visitas técnicas com objetivo de implantar a tecnologia em outros locais. O aeroporto de Belo Horizonte já estuda a viabilidade de trocar os ônibus a diesel por versões elétricas. Um exemplo de como a pesquisa da Universidade está contribuindo para mudanças sustentáveis na sociedade.

Fonte: Projeto Colabora

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